[RESENHA] AZEITONA -Bruno Miranda

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Oi, estou bem! E dessa vez eu realmente quero dizer isso. Estou bem, pois sei que o livro que irei compartilhar hoje fará alguém mais feliz, mesmo que por uma tarde.

Ían tem 16 anos e está aos cuidados da irmã desde os 6. Isso significa que ela teve que deixar muitas oportunidades de lado e somente agora, com o menino mais velho, está conseguindo colocar a vida nos eixos.

O garoto reconhece os sacrifícios da irmã, até mesmo se sentindo culpado por não poder ajudar o quanto deseja.

É por isso que quando uma produtora o convida para participar um Reality Show para pais adolescentes, ele não se apressa para explicar que está apenas acompanhando sua irmã. Não depois de ver o valor do cachê.

Emília, dezessete anos, não quer ajudar ninguém. Diferente de Ían, o seu maior sonho é sair de casa e fugir da complicada relação com a mãe.

Convivendo apenas como conhecidos de sala a vida dos dois talvez nunca se juntasse de verdade. Não fosse por, em um momento de pressão na inscrição do programa, Ían nomear Emília como a mãe de seu bebê.

Agora os dois têm que lidar com as responsabilidades de ter um filho… sem realmente terem um filho.

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“O que o levou a segunda opção: curso profissionalizante. Ele sabia, porque aquilo já havia acontecido antes: alguém chega com um sorriso no rosto e uma simpatia duvidosa. Quando você vê já estudou dois anos de gestão empresarial a partir dos catorze anos e, agora, passados meses da conclusão do curso, se sente tão preparado para gerenciar uma empresa quanto uma lhama.” – Página 9 (Ían confuso quanto as intenções da produtora)

Vocês sabem quando um livro tem uma escrita tão leve que te faz lê-lo em uma tarde? Quando o personagem narra de uma forma tão bem humorada que você se sente lendo How I Met Your Mother?

Então, eu lhes apresento Azeitona.

Uma obra em que você se encontra torcendo para o personagem, ainda que as atitudes dele não são completamente éticas. Até porque, como poderia ser diferente? Ían é um menino que durante todo o livro pensa tanto na irmã e no sobrinho que ainda nem nasceu, que torna difícil questionar sua entrada no Reality Show.

Mesmo com todas as dificuldades que ele enfrentou ainda consegue manter o bom-humor e ser grato a Iris, reconhecendo que ela carregou não apenas o próprio fardo, mas grande parte do dele.

“[…] Deve ser um sinal para eu não desistir!

Ían claramente não sabia interpretar sinais.”

Aliás, a Iris é um outro amorzinho.

Pensem em uma mulher que coletou tudo o que a vida jogou na cara dela e transformou em algo bom? Ela não só construiu uma forte relação de amizade com o irmão, como cuidou dele financeiramente, tendo a certeza de dar o melhor que pudesse ao menino.

Ela adiou os próprios sonhos garantir que o Ían pudesse ter os próprios, me falem se não é uma pessoa maravilhosa?

Isso foi uma das coisas que mais me agradaram no livro: a forma como a história dos personagens secundários é tão bem escrita que acaba tornando até mesmo o principal mais real.

Família, para mim, teve um peso emocional muito maior que o próprio romance.

O que eu não achei ruim, veja bem: Os personagens não entraram em uma relação do tipo encaramos-merdas-juntos-nada-nos-separa, o que me agradou MUITO.

Se tem uma coisa que eu acho forçada é quando, após enfrentarem algo, dois personagens magicamente desenvolvem uma paixão eterna e sem problemas. Gente, só um toque: amor não é uma emoção tão rasa assim não.

Claro que em situações estranhas como as do Ían e Emília, cria-se uma espécie de ligação, e o Bruno conseguiu mostrar isso sem jogar os dois em um casamento no meio do livro.

Ainda assim, voltando, o romance não foi a minha parte preferida do livro.

Essa minha opinião também não teve nenhuma relação com a Emília.

Talvez um pouquinho.

Individualmente ela é uma personagem maravilhosa: forte, corajosa e determinada. Durante o decorrer da história você percebe que, assim como Ían, Emília corre atrás do que quer para o futuro.

Em determinadas cenas com a mãe dela, é difícil não se emocionar.

A questão foi que em alguns momentos DA VONTADE DE ESGANAR A EMÍLIA. Ela faz umas coisas tão idiotas que quase peguei raivinha dela (O que não aconteceu, ainda bem!).

Assim como com Ían, a relação da Emília com a família também foi um dos pontos fortes do livro.

No caso dela, o foco foi na mãe. Devo dizer que foi no mínimo interessante observar não só as diferenças entre as duas famílias, como as diferenças na forma com que os dois se relacionavam com elas.

Falando em relações familiares: O QUE É CAIO?

Caio é apenas o garoto que, sozinho, cativou tanto sentimento em mim que se eu pudesse colocar ele no bolso e trazer pra minha casa eu fazia isso. Ok, talvez não.

GENTE, NÃO POSSO LEMBRAR DE CAIO. ISSO NÃO ME FAZ BEM.

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Bem, isso é basicamente o que eu queria deixar registrado sobre esse livro: Ele é muito engraçado, e te deixa viciada na história.

Ao mesmo tempo, possui alguns momentos de drama tão bem elaborados que entram na trama sem parecer forçado.

Tem personagens incrivelmente bem construídos, onde não apenas a história deles é contada, mas também a dos personagens secundários.

Tem um romance leve, e fala sobre relações familiares e gravidez de um jeito super delicado.

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Ficha Técnica

Título: Azeitona

Autor: Bruno Miranda

Editora: Planeta

Quantidade de páginas: 350

Avaliação: 7,5

Beijinho, beijo, abraço. O que vocês quiserem ❤

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